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CINE CAFÉ – Março/2015

Mostra: O CINEMA ARGENTINO CONTEMPORÂNEO
Nos últimos anos, filmes argentinos têm provado seu grande potencial para o mundo todo. A sétima arte da terra dos hermanos tem qualidades e características indiscutíveis.  Suas produções cinematográficas conseguem, através de seus diretores, roteiristas e atores, dizer muito com recursos modestos e idéias inteligentíssimas. E esse jeito de fazer cinema vem sendo reconhecido pelas academias de todo o mundo. A mostra "A Sétima Arte Argentina" reúne um pequeno recorte com obras primas do cinema argentino contemporâneo, realizados nos últimos quatro anos. 



03/03
LAS ACÁCIAS
(Dir: Pablo Giorgelli, ARG, 2011)
Um motorista de caminhão passa anos indo de Assunção, no Paraguai, a Buenos Aires, transportando madeira. Sua rotina irá mudar com a presença de Jacinta e da pequena Anahí. O longa, vencedor do prêmio Câmera de Ouro do Festival de Cannes de 2011 e de outra dezena de competições pelo mundo, demonstra como o primeiro filme de um diretor pode ser simples, mas ao mesmo tempo sensível e conter um feixe de descobertas. Uma das maiores ousadias de Las Acacias é acreditar na potência das imagens, quando o diálogo e as reviravoltas narrativas seriam as soluções mais fáceis. Com dois atores dentro de um caminhão Giorgelli consegue construir seus personagens e suas histórias principalmente pela imagem, conferindo uma surpreendente agilidade nos enquadramentos e na edição. A maneira como filma as estradas, dando a elas uma infinidade de possibilidades estéticas e dramáticas. Sem artimanhas fáceis, o filme é uma complexa e sensível ode à banalidade e às pessoas comuns. Las Acacias é uma obra madura, encantadora, pela simplicidade e respeito com que filma o ser humano. 




10/03
ELEFANTE BRANCO
(Dir: Pablo Trapero, ARG, 2012)
O filme tem como cenário uma favela dentro glamorosa Buenos Ayres. A história acompanha a trajetória do padre Julián e seus assistentes, que dedicam a vida para ajudar os necessitados da Villa Virgen, uma favela localizada na periferia de Buenos Aires. Entretanto, apesar da consciência social que possuem, até mesmo eles estão sujeitos ao desânimo e às provações decorrentes de uma realidade bastante violenta e, em alguns momentos, sem perspectiva de melhora. Natural, afinal de contas são humanos e os personagens aqui jamais são apresentados como heróis. Poucos são os filmes que têm a coragem de colocar o dedo na ferida da desigualdade social e apontar os responsáveis por situações por vezes calamitosas, onde muitos são os culpados e poucos aqueles que se dispõe a fazer algo. Elefante Branco, novo trabalho do aclamado diretor Pablo Trapero, é uma destas exceções e, justamente por isso, possui uma força impressionante junto ao espectador.




17/03
UM CONTO CHINÊS
(Dir: Sebastián Borensztein, ARG/ESP, 2011)
Com poesia e simplicidade, o filme convida a uma terna reflexão sobre a ponderabilidade do absurdo. O que é, afinal, um absurdo? Uma vaca despencar do céu? Uma amizade entre duas pessoas que não entendem uma só palavra do que conversam? Uma guerra? O ponto de partida deste intrigante enigma é o encontro entre um argentino e um chinês. O argentino é Roberto (Ricardo Darín) um mal humorado dono de uma loja de ferragens que trata mal seus clientes e é capaz de brigar com seus fornecedores por causa de um punhado de parafusos. O chinês é Jun (Ignacio Huang), rapaz que desembarca na Argentina em busca de seu tio, sem falar uma palavra de castelhano. O destino fará com que as vidas destes dois intrigantes personagens se cruzem de forma, digamos... Imponderável, mas que levanta importantes questões sobre a (in)tolerância entre as diferenças. Um filme tocante que levou mais de um milhão de argentinos aos cinemas.




24/03
O OLHAR INVISÍVEL 
(Dir: Diego Lerman, Arg/Esp/Fra, 2012)
Em Buenos Aires, em março de 1982, a ditadura militar começa a ser contestada pelas ruas da cidade. Maria Teresa, uma professora de 23 anos, trabalha no prestigioso Colégio Nacional de Buenos Aires, conhecido por formar as classes dirigentes do país. O chefe dos vigilantes, Sr. Biasutto percebe nela a pessoa perfeita para ser o "olho invisível", aquela que vê tudo, que espia e controla todos, sem que eles saibam que estão sendo observados. Aos poucos, ela começa a levar essa missão muito a sério. O filme consegue reproduzir todo o clima de paranóia e repressão vivido pela Argentina no final de sua última ditadura.


31/03
RELATOS SELVAGENS
(Dir: Damián Szifron, ARG/ESP, 2014)
Um dos mais aclamados filmes argentinos da atualidade e indicado ao Oscar 2015 para Melhor Filme de Língua Estrangeira. Diante de uma realidade crua e imprevisível, os personagens deste filme caminham sobre a linha tênue que separa a civilização da barbárie. Uma traição amorosa, o retorno do passado, uma tragédia ou mesmo a violência de um pequeno detalhe cotidiano são capazes de empurrar estes personagens para um lugar fora de controle. Dividido em seis episódios, todos excepcionais, Damián Szifron, de certa forma, se aproxima da linguagem do cinema de Quentin Tarantino. Não só por utilizar a violência, muitas vezes gráfica, em prol do humor negro, mas também pelo uso preciso da trilha sonora e do rock na construção do clima. Por sinal, o trabalho do compositor Gustavo Santaolalla é genial. Um filme de tirar o fôlego.



No Cine Café você assiste filmes de um jeito diferente!

Mais do que exibir filmes raros, alternativos e de indiscutível valor para a história do cinema, o Cine Café é o espaço sorocabano para o encontro de cinéfilos, estudantes e apreciadores da sétima arte.